Gabeira é quem vai enfrentar Paes no Rio
sábado, outubro 4th, 2008Do jornalista Pedro Couto, na Tribuna da Imprensa:
Escrevo este artigo na tarde de sexta-feira, antes de saber os resultados das últimas pesquisas do Ibope ou do Datafolha, mas, com base numa longa experiência acumulada de acompanhar de perto eleições desde 1954, digo que Fernando Gabeira ou já ultrapassou Crivela, ou estará ultrapassando nas próximas horas. Vai assim decidir a Prefeitura do Rio com Eduardo Paes, candidato do governador Sergio Cabral, no segundo turno, a 26 de outubro.
Como assinalei no artigo de quinta-feira, a emoção veio com ele na reta de chegada e este aspecto é fundamental para o caminho das urnas. As eleições, de fato, somente se decidem nos últimos dias da campanha. É sempre assim. Está sendo agora em relação a Gabeira. Verifico a atmosfera em seu favor nas ruas, nas praças, no local em que trabalho.
Inclusive onde trabalho existem muitos jovens profissionais e estagiários. Seus votos estavam divididos entre Jandira Feghali e Chico Alencar, mas no momento em que redijo este texto decidiram mudar sua opção, na medida em que perceberam se assim não agissem poderiam estar indiretamente ajudando Marcelo Crivela a garantir a segunda colocação e, portanto, a presença na final do segundo turno. Não é difícil identificar as tendências populares no sentido do voto.
Tampouco é necessário ouvir-se uma quantidade enorme de pessoas. Basta perceber o impulso dominante entre algumas delas para se ter a certeza de uma generalização. Pois em matéria de intenção de voto, o universo micro desde que dividido por segmentos sociais torna-se também o universo macro.
A tendência pró-Gabeira espalhou-se acentuadamente. Inclusive não apenas em função das mudanças ocorridas nas intenções de voto, mas, sobretudo, no entusiasmo com que as pessoas, especialmente os jovens, decidiram votar nele. É possível que somente ultrapasse Crivela na manhã de hoje, sábado, ou no alvorecer de amanhã, domingo, dia do voto. Mas vai superá-lo. Crivela não conseguirá conter a atropelada de Gabeira.
Isso porque, principalmente, Crivela tem um desempenho constante, marcado pela repetição de atitudes, mas não entusiasma, não arrasta. Sem emocionar, a campanha pode mantê-lo em determinada escala, mas não projetá-lo acima dela. Não há calor em torno dele. O calor está ao lado de Fernando Gabeira.
Seria possível, a favor de Crivela, que a militância de Sergio Cabral fosse mobilizada a favor do senador do PRB para evitar um confronto final entre Eduardo Paes, que lidera amplamente as intenções de voto, e Gabeira, visando com isso assegurar, desde já, o Palácio da Cidade para o representante do PMDB, que aliás desenvolveu uma campanha inteligente. Não digo que maciçamente, mas de forma residual.
Contra Crivela, a vitória de Paes seria absolutamente certa; contra Gabeira, incerta, ou até mesmo pouco provável, em minha opinião. Porém não percebi tal fenômeno. Seria um lance por demais arriscado para o chefe do Executivo, que joga seu futuro político nas eleições deste ano. Os demais candidatos não apresentam qualquer possibilidade de êxito. Jandira Feghali caiu na reta final.
Os outros sequer aparecem na fotografia. Mas, no caso de Chico Alencar, Jandira e Molon, assinalam eles uma tendência ideológica, mesmo que apenas teórica e retórica. Entretanto, seus eleitores nada têm a ver com as atitudes que vão assumir. Por isso, alteraram desde já seu voto nos três últimos dias. O que farão no segundo turno? É uma incógnita, porém é uma ilusão achar que os afastados da disputa podem comandar as tendências que sintetizam em si. Não são donos de frações do eleitorado. Exprimem a vontade de eleitores, não os comandam. Não os lideram. É diferente.
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